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5.1.10

COMUNIDADES E IGREJAS HISTÓRIAS NOS ARREDORES DE NATAL

No momento descanso assisti pela TV Cultura o interessante “Sangue do Barro” - documentário DOCTV sobre o dia de fúria de um homem pacato e a exploração indevida da sua violência pelos programas jornalísticos sensacionalistas. Não deu outra, na manhã seguinte abandonei o mar de Ponta Negra e fui fazer turismo social por um dia. 



FOTOS MB: São Gonçalo do Amarante se preparava para a festa do padroeiro (São Benedito), com casamento comunitário e parquinho de diversões para a garotada. A igreja matriz é exemplo da arquitetura barroca. A igreja estava sendo enfeitada e o grupo parou para conversar e compartilhar o lanchinho. Opa. Sob aplausos, chegaram as flores.


Perto de lá está o monumento aos Mártires de Uruaçu: moradores dos engenhos da região, organizados por portugueses com dinheiro holandês, foram levados pelos credores para o Castelo de Keulen (atual Forte dos Reis Magos) e, posteriormente, sacrificados no estuário do rio Potengi pelo crime de amor à Pátria. Não fui, mas para o pessoal da região o monumento é importante.

FOTO MB: SANTO ANTÔNIO DO POTENGI

Diz a lenda que a construção da capela está ligada à descoberta de uma imagem de Santo Antônio por duas herdeiras de terras da região. A imagem começou a desaparecer da casa das moçoilas e reaparecer onde foi achada pela primeira vez. Para resolver a questão, por volta de 1885, foi construída uma capela para abrigar a imagem.


FOTO MB: Igreja Nova descansava depois do almoço. Paramos diante da igrejinha de torre recém pintada e não tardou passar por nós um menino dizendo e apontando para uma casa "a chave da igreja fica com aquela dona ali". Sorrimos e continuamos a observar a igreja que foi erguida em 1867, ano de fundação do povoado, em homenagem a N.S. da Conceição. Aí, foi a vez de um rapaz indicar a senhora na varanda da tal casa detentora da "chave da igreja". Àquela altura, ir embora sem entrar na igreja seria uma enorme desfeita. Resumo da ópera: visitamos a igreja, tomamos água, conversamos na varanda, tivemos convite para almoçar e ganhei da senhorinha uma manga deliciosa! Igreja Nova pode ser considerada cidade dormitório dos trabalhadores de Natal.






Pé na estrada, rumamos para Utinga.




FOTO MB: É possível que a atual capela tenha sido construída no mesmo local da anterior, conforme o historiador Olavo Medeiros Filho, depois de analisar um mapa holandês de 1638. O documento informava a existência de um engenho e uma capela no povoado de Utinga. A data de 1787 é a mesma que se acha inscrita no frontispício da capela, provavelmente indica a época de alguma reforma.


FOTO MB: A capela de Utinga e duas residências próximas apresentam semelhantes características arquitetônicas do século XVII, o que comprova o período em que ambas foram construídas. Assim, conhecendo um pouco mais da história/realidade do Brasil, voltei ao mar de Natal.

15.12.09

RIO GRANDE DO NORTE EM TRÊS ETAPAS

Comentários básicos: Êta, litoral lindo de morrer!
RN é que nem mingau quente, tem que ser saboreado de-va-ga-ri-nho. Aliás, penso que qualquer viagem tem, no mínimo, 4 momentos principais: planejamento exaustivo, reconhecimento in locco, contemplação e assimilação. O que significa dizer que “queimar” uma dessas etapas vai dar, cedo ou tarde, a sensação de “faltou alguma coisa” e você, irremediavelmente, terá que voltar lá. Por exemplo: todo mundo quer ir para Natal. Quando lá chega, contrata um buggy para percorrer praias e lagoas que ficam em outros municípios do Rio Grande do Norte. E quem não quer?

Foto MB de alguma duna entre Genipabu e Maxaranguape, em julho de 2006.

É aí que entra o momento 1. Veja o quanto você está disposto a investir e como. Não adianta reservar 3 dias e querer fazer tudo que o turismo potiguar oferece. Por assim pensar, foi que eu, no melhor estilo “viajante de carteirinha aos lugares já visitados torna”, desembarquei pela terceira vez em Natal. As vezes anteriores foram em temporada alta e cheguei por terra (depois conto em detalhes que, nos anos 80, saí do Rio de Janeiro de Fiat e só voltei depois de visitar o Forte dos Reis Magos). Conheci o litoral sul (momento 2) e o litoral norte (momento 3), mas não a cidade de Natal propriamente dita, tampouco a região metropolitana sem contato com o mar.

Foto MB feita do elevador do hotel, em outubro de 2009.

Confesso que chegar pelo ar, na baixa temporada e ir direto para um resort na Via Costeira (momento 4) deu o tom novidadeiro. O revival ficou por conta do “Calçadão” da Praia dos Artistas, com feira de artesanato e point dos turistas; da ponte da Redinha que eliminou a travessia de balsa do Potengi; da refeição potiguar com macaxeira cozida e feijão verde; da noite que começa por volta das cinco da tarde; do sol que oito da manhã já tem índices altíssimos de UVB e UVA ; do vento que venta, venta e venta sem parar...


Tomei um baita susto com o calor que fazia no local. O ar condicionado do aeroporto é mantido desligado, numa prática que, nas palavras das balconistas das lojas, “tem jeito não, é sempre assim”. As opções na lanchonete no desembarque não são lá muito boas. Se for o caso de comer ou beber alguma coisa, aconselho ir para o setor de embarque, no segundo andar. Da próxima vez vou comprar o lanche Gol (honesto nos seus menos de R$ 20,00): economiza tempo e é um banquete se comparado ao que vi em terra.
Será construído um novo aeroporto para a Copa de 2014, em local ainda mais afastado do centro e, nas palavras do taxista, “desnecessário tal qual o Metrô”. Metrô em Natal? Vixe, Maria!Enquanto eu esperava a bagagem (mochila básica, com muito filtro solar), lembrei de pegar os folders promocionais repletos de mapas e opções de traslado e passeios. Havia vários deles em um totem no salão de desembarque. Minha sugestão de ouro é alugar um carro já no aeroporto, a menos que você vá se isolar em um resort da Costeira, não pensa em circular por alguns dos 400km do litoral potiguar sem sacolejar em um buggy ou planeja se esparramar na cama desde o início da noite (os passeios terminam por volta das 17:00 hs) para assistir TV em um quarto com ar condicionado. Nada contra essa última opção, afinal assistir os programas locais pode render boas dicas (foi essa a motivação final para conhecer São Gonçalo do Amarante). Mas, convenhamos, 1 hora é mais que suficiente para isso. Já volto pra contar mais.